A madrugada de 21 de fevereiro de 2026 entrou para a história de Três Coroas, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul, como um dos episódios mais trágicos já registrados na cidade. Três ciclistas morreram após serem atropelados enquanto pedalavam pelo acostamento da ERS-115, rodovia que liga o município à Serra Gaúcha.

O caso é investigado pela Polícia Civil como triplo homicídio doloso no trânsito, quando há entendimento de que o condutor assumiu o risco de provocar mortes.

Como o acidente aconteceu
Segundo a investigação, o trio pedalava no sentido Gramado quando foi atingido por um Fiat Palio prata que trafegava na mesma direção. O veículo teria invadido o acostamento e atingido os ciclistas por trás.
Morreram ainda no local:
Clarissa Felipetti, 38 anos
Fernanda Mikaella da Silva Barros, 35 anos

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O terceiro ciclista, Isac Emanuel Ribeiro da Silva, 35 anos, marido de Clarissa, foi socorrido em estado gravíssimo e encaminhado para atendimento hospitalar em Canoas. Ele permaneceu internado por alguns dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (24), elevando para três o número de vítimas fatais.
Imagens de câmeras de monitoramento mostram o grupo cerca de um minuto antes do atropelamento.
O casal Isac e Clarissa deixa dois filhos: uma menina de 8 anos e um menino de 6 anos.

Quem eram as vítimas
Clarissa Felipetti
Conhecida como Sissa, Clarissa tinha 38 anos. Era formada em Educação Física e em Publicidade e Propaganda. Já atuou como assessora de imprensa na Prefeitura de Três Coroas e trabalhava como fotógrafa e no setor de marketing de uma empresa.
Era mãe de dois filhos e costumava pedalar regularmente com o marido.
Isac Emanuel Ribeiro da Silva
Isac, 35 anos, era corretor de imóveis e sócio de uma imobiliária em Três Coroas. Em nota, a empresa lamentou:
“Isac foi um homem íntegro e generoso, pai exemplar, esposo dedicado e amigo leal. Sua partida deixa um vazio imenso em todos nós.”
Fernanda Mikaella da Silva Barros
Natural de Minas Gerais, Fernanda tinha 35 anos e trabalhava em uma empresa do setor calçadista da região. A companhia destacou em nota:
“Fernanda não era apenas uma profissional dedicada e comprometida, ela era verdadeiramente parte da nossa família.”
Os três costumavam pedalar duas vezes por semana.

O que diz a investigação
O motorista foi identificado como José Carlos Almeida Bessa, de 42 anos. Ele fugiu do local sem prestar socorro.
De acordo com a apuração:
Ele não possuía habilitação;
Dirigia sob efeito de álcool;
Teria perdido o controle do veículo antes de atingir as vítimas;
Fugiu após a colisão.

O teste do bafômetro apontou 0,70 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice que configura crime de trânsito.

A prisão só foi possível porque o suspeito deixou a placa dianteira do carro no local do acidente. A partir dessa informação e com auxílio do sistema de cercamento eletrônico, a Brigada Militar localizou o veículo, emplacado em Gramado. O homem foi preso em casa, em Três Coroas, e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Bar, boate e cronologia antes do atropelamento
A investigação aponta que o motorista teria passado por dois estabelecimentos antes do acidente.

Por volta da 1h, ele esteve em um bar em Igrejinha, onde permaneceu até as 4h consumindo cerveja e apresentando comportamento considerado eufórico.
Às 4h24, entrou em uma boate próxima à divisa com Igrejinha.
Às 5h24, deixou o local e voltou a acessar a ERS-115 em direção a Três Coroas.
Minutos depois, ocorreu o atropelamento.
Uma testemunha afirmou à polícia que viu o suspeito deixando uma casa noturna e dirigindo em zigue-zague pela rodovia.

O que diz a defesa
A advogada Camila Schmorantz, responsável pela defesa, afirmou que está comprometida em assegurar que os fatos sejam apurados “de forma justa, técnica e dentro dos limites da lei”, e declarou solidariedade às famílias das vítimas.
A defesa sustenta que o processo judicial é o espaço adequado para análise das circunstâncias e responsabilidades.

Próximos passos
O inquérito segue em andamento, com coleta de depoimentos, análise de imagens de câmeras e conclusão dos laudos periciais. Após finalizado, será encaminhado ao Ministério Público.

A tragédia reacende o debate sobre segurança nas rodovias estaduais, fiscalização de embriaguez ao volante e proteção de ciclistas em trechos compartilhados com veículos.

FONTE/CRÉDITOS: G1–Rio Grande do Sul